Integrantes da Mesa Diretora (direção) da Câmara próximos de Arthur Lira (PP-AL) tentam trocar o relator indicado por Rodrigo Maia (DEM-RJ) em uma discussão importante para a eleição da sucessão da Casa.
Eles entraram em atrito com Maia nesta 6ª feira (15.jan.2021) e planejam promover uma nova reunião da Mesa.
A Mesa Diretora discute se as assinaturas de 32 deputados do PSL, parte deles suspensos, seriam válidas para o partido aderir ao bloco de Lira. Esses blocos servem para dividir os principais cargos da Câmara proporcionalmente ao tamanho dos grupos.
Deputados suspensos não têm plenos direitos na Casa. As assinaturas pró-Lira não foram maioria entre os 36 deputados não suspensos do PSL. Por isso, a sigla não entrou no bloco.
Caso essas assinaturas de deputados do PSL valham, será uma vitória para Arthur Lira, candidato a presidente da Câmara. Atualmente é rival de Maia. O atual presidente da Casa apoia Baleia Rossi (MDB-SP) na disputa. A impressão geral na Câmara é que, se a eleição fosse hoje, Lira seria eleito.
Em reunião da Mesa na 3ª feira (12.jan.2021) Maia escalou o deputado Mario Heringer (PDT-MG) como relator deste caso. Novo encontro no dia 18 de janeiro deveria deliberar sobre o caso.
Quatro aliados de Lira na Mesa, Marcos Pereira (Republicanos-SP), Soraya Santos (PL-RJ), André Fufuca (PP-MA) e Expedito Netto (PSD-RO), porém, fizeram uma convocação de reunião para discutir o tema nesta 6ª.
Querem que, em vez do relatório de Heringer, que não chegou a ser apresentado, fosse votado parecer de Luis Tibé (Avante-MG), que liberava as assinaturas pesselistas.
Tibé ocupa o cargo conhecido como procurador parlamentar. Na 1ª reunião Maia, como presidente da Mesa, havia desconsiderado o documento elaborado de Tibé.
“Foi considerado inadmitido pela presidência já que não é atribuição do procurador. Só cabe ao procurador qualquer atribuição dessas assistindo ao presidente da Câmara, que não fez esse pleito”, disse o presidente da Câmara na 3ª feira.
Apesar de não ter sido Maia quem convocou a reunião, ele a encerrou. Tem esse poder como presidente da Mesa. Um dos presentes, deputado André Fufuca (PP-MA) não queria aceitar. Houve tensão no encontro. Maia está em São Paulo e participou por videoconferência.
Os aliados de Lira, exceto Marcos Pereira, que está com coronavírus, estavam participando em grupo na Câmara. Se reuniram na sala 3ª Secretaria da Casa logo depois do encerramento da reunião.
O deputado Expedito Netto (DEM-RO) disse à reportagem que o grupo debaterá o que fazer. É possível que esses deputados tentem marcar uma nova reunião para debater o assunto ainda nesta 6ª feira. O mais provável, porém, é que o assunto fique para 2ª feira (18.jan.2021).
Normalmente é o presidente da Câmara quem convoca as reuniões da Mesa, mas elas podem ser autoconvocadas quando há assinaturas de 4 integrantes.
Deputados pesselistas que assinaram a lista do bloco de Arthur Lira desde o início contavam com a maioria de aliados do candidato do PP na Mesa Diretora. Dos 7 titulares, 4 estão em partidos do grupo de Lira.
A eleição na Câmara será no início de fevereiro. Quem vencer terá mandato de 2 anos no cargo. Para ser eleito serão necessários no mínimos 257 votos, caso todos os 513 deputados votem.
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