A mais recente pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta terça-feira (16/12), indica que Flávio Bolsonaro (PL-RJ) desponta como o principal nome da direita nos cenários simulados para a eleição presidencial de 2026. Embora pesquisas eleitorais não sejam instrumentos absolutos de previsão, os dados revelam um movimento político relevante. Para infelicidade de setores do “centrão, o reacionário Flávio Bolsonaro aparece à frente de outros postulantes do campo da direita bolsonarista – que há meses aparecem com porcentagens estagnadas – sendo, portanto, o nome mais competitivo até o momento, em eventuais cenários de segundo turno.
O dado mais significativo do levantamento é a transferência de apoio eleitoral do pai Jair Bolsonaro para o filho “01”. Mesmo preso e inelegível, Bolsonaro segue como liderança central da extrema direita, e a pesquisa sugere que parte expressiva de seu capital político tem sido incorporada por Flávio, contrariando avaliações difundidas por diferentes veículos do monopólio de imprensa que apostavam na rápida fragmentação do bolsonarismo após as derrotas institucionais do ex-presidente.
O desempenho de Flávio também frustra as expectativas do chamado “centrão” – direita bolsonarista –, que vinha trabalhando com a hipótese de esvaziamento do clã Bolsonaro para viabilizar uma candidatura considerada mais “palatável” a setores das classes dominantes, sobretudo frações da grande burguesia e latifúndio. Os números indicam que, ao menos por ora, a base social bolsonarista respondeu positivamente à movimentação do clã, reduzindo o espaço de manobra para alternativas como governadores e figuras apresentadas como “moderadas” da direita – como Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), Ratinho Júnior (PSD-PR), Romeu Zema (Novo-MG) e Ronaldo Caiado (União Brasil-GO).
Sucessão eleitoral de Bolsonaro cria fissuras em toda a extrema direita – A Nova Democracia
Conforme o colunista Igor Gadelha, do portal da imprensa monopolista Metrópoles, mantida a viabilidade eleitoral de Flávio, demonstrada pelas pesquisas, setores do centrão “passam a rever seus planos e admitem a necessidade de dialogar com o nome mais competitivo do bolsonarismo”, ainda que a contragosto. Diante de um nome que concentra votos, rejeição mobilizadora e estrutura partidária, a tendência desses grupos é aderir ao polo mais competitivo, ao invés de enfrentá-lo.
A pesquisa também reforça o cenário de que a extrema direita não atua na defensiva, mas sim na ofensiva eleitoral. O bolsonarismo articula sua estratégia para além da Presidência, mirando especialmente a disputa pelo Senado, onde pretende conquistar maioria suficiente para impor pautas que aumentam as pugnas entre as instituições, principalmente contra o Supremo Tribunal Federal, com ou sem vitória no Executivo em 2026.
Esse movimento ocorre, ainda, em um contexto no qual o governo oportunista do PT tenta conter sua “base” parlamentar cada vez mais instável. Na prática, porém, parte significativa da direita, que apenas formalmente integra a base governista, acena para o bolsonarismo, revelando que a política direitista de Luiz Inácio/PT não neutraliza adversários – ao contrário, cria justamente as condições materiais para que se fortaleçam.
Não à toa, o próprio Luiz Inácio já demonstrou incômodo com o novo cenário. Segundo o monopólio Folha de S.Paulo, o petista convocou uma reunião de emergência com ministros e integrantes do núcleo político do governo para cobrar “fidelidade” em 2026. Um gesto interpretado como reação direta ao avanço da extrema direita nas pesquisas e ao fato de que o nome de Flávio Bolsonaro surge competitivo logo na primeira rodada de testes eleitorais, encurtando a distância que o governo esperava manter com folga.
As obscenas emendas parlamentares e demais politicagens utilizadas pelo governo da falsa esquerda para sustentar sua “maioria” no Congresso acabam, em última instância, irrigando as estruturas políticas que certamente poderão ser utilizadas contra ele próprio em 2026. Trata-se de uma importante contradição do atual arranjo das velhas instituições, em que os recursos públicos e acordos de gabinete fortalecem, na prática, a extrema direita organizada e na ofensiva eleitoral, em plena campanha de financiamento para suas candidaturas.
Ainda que os números da pesquisa devam ser analisados com cautela, e à parte dos vieses políticos do monopólio de imprensa, os dados acenam que o bolsonarismo permanece vivo, articulado e com capacidade de transferência de votos de pai para filho. A extrema direita, ao contrário de estar em um “refluxo”, se movimenta para tirar vantagem da crise institucional e da fragilidade do governo de turno e garantir trunfos eleitorais, abrindo caminho para novas e mais amplas ofensivas no próximo ciclo da velha política brasileira.
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Publicado em: 2025-12-17 17:53:00 | Autor: Redação de AND |

