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CE: Estudantes da UECE enfrentam tentativas de cerco e criminalização em ocupação

CE: Estudantes da UECE enfrentam tentativas de cerco e criminalização em ocupação

No dia 09/12, terça-feira, estudantes iniciaram na Universidade Estadual do Ceará (UECE) a ocupação do espaço conhecido como Salinha dos Estudantes, localizado no Centro de Humanidades, Campus Fátima, em Fortaleza, apelidada de “Ocupação Palestina Teimosa” em homenagem à firmeza do povo palestino. Após a ocupação do local, estudantes foram intimados a prestar depoimento na delegacia e foram ameaçados com o envio do Batalhão de Choque da Polícia Militar (PM) para o campus.

O espaço havia sido conquistado em 2015 por meio de uma ocupação, funcionando como uma sala multiuso que sediava atividades variadas como cine-debates, palestras, grupos de estudo, celebrações e diversas outras.

A sala constitui uma política de permanência estudantil devido a seu uso possibilitar lazer, descanso, e disponibilizar bolsas a estudantes que coordenam as atividades da sala. Porém, a partir de meio do ano de 2025, a Direção do Centro de Humanidades da UECE teria ordenado que a sala se mantivesse fechada, pois ela seria destinada a um projeto de extensão que a transformaria em uma panificadora, negando as solicitações de uso da sala pelos estudantes. 

A tentativa de criminalização do movimento deu-se já no terceiro dia da ocupação, após a Direção do Centro de Humanidades, recusando-se a dialogar em prol de um acordo, trouxe ao campus um perito civil para que fosse realizado uma perícia de um suposto crime de “depredação”. Após isso, 15 alunos foram intimados e prestaram depoimento na delegacia, o caso ainda segue em andamento. Além disso, o perito afirmou em tom de ameaça que existe a possibilidade de acionar o Batalhão de Choque para expulsar a ocupação: “Se não deixarem eu entrar [na sala], eu chamo o Choque e eles fazem o trabalho deles”, teria afirmado o perito civil.

No dia 16/12, um dos estudantes que apoiavam a ocupação, que trabalhava como terceirizado para o Núcleo de Apoio à Acessibilidade e Inclusão (NAAI) da UECE, foi demitido pela Reitoria da universidade a pedido da Direção do Centro de Humanidades. O motivo alegado foi exclusivamente a sua participação na mobilização estudantil relacionada à ocupação.

Na tarde do dia 23/12, antes da véspera do Natal, os estudantes receberam um ofício da Reitoria da UECE afirmando que do dia seguinte até o dia 04/01, apesar da ocupação, será proibida a entrada de pessoas no campus, sendo permitida apenas a saída, e que alimentos e objetos entregues aos estudantes da ocupação teriam que passar por uma inspeção pelos seguranças do prédio. A chegada repentina desse ofício fez muitos estudantes que ainda trabalham neste período do ano ou que cuidam de familiares fossem obrigados a deixar a mobilização.

Além disso, os seguranças do Centro de Humanidades, a mando da Reitoria, têm impedido o trânsito dos ocupantes dentro do campus, bloqueando o acesso dos estudantes à cozinha dos funcionários e aos banheiros com chuveiro que estavam sendo usados até então. Para contornar a impossibilidade de acesso aos chuveiros, os seguranças sugeriram que os estudantes se banhassem usando baldes em toaletes comuns. Com a insatisfação dos ocupantes, foi liberado a eles o acesso a um banheiro com chuveiro nos fundos do campus, porém em condições insalubres.

Sobre as medidas de cerco, um dos estudantes nos relatou: “Estou me sentindo um prisioneiro, só que mais precário ainda. Temos menos direitos do que eles aqui na UECE, pois não temos acesso a banheiros decentes, nem como cozinhar dignamente”.

Em depoimento enviado ao AND, uma estudante relatou que os estudantes tentaram por diversas vezes marcar reuniões para negociar com a diretora responsável pelo projeto de extensão, mas a direção sempre remarca as reuniões para “enrolar” os estudantes.

Apesar das tentativas de cerco e criminalização por parte da Direção do Centro de Humanidades e da Reitoria da UECE, os estudantes estão determinados a manter a ocupação até a garantia de que sejam atendidas as suas condições mínimas: “a Salinha na mão dos estudantes, arquivamento dos inquéritos policiais, readmissão do estudante demitido, continuidade das bolsas aos estudantes que coordenarem atividades da Salinha dos Estudantes e a garantia de não haver represálias contra os estudantes que ocuparam”.

A mobilização pode ser acompanhada pelo perfil “@salinhadosestudantes” no Instagram.

Pôster ‘Estudantes pela Palestina’ – Cartazes pela Resistência Palestina

‘Cartazes pela Resistência Palestina’ Impressão em Papel Couche 250g Dimensões: 42cm x 29,7cm (Padrão A3) 29,7cm x 21cm (Padrão A4) 21cm x 14,8cm (Padrão A5)…

Fonte: anovademocracia.com.br

Publicado em: 2025-12-29 17:08:00 | Autor: Editor Executivo |

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