A Festa da Lavagem do Cruzeiro, em Amélia Rodrigues, reuniu manifestações culturais, cortejos religiosos e apresentações musicais durante as comemorações pelos 110 anos da festividade, com destaque para a participação do grupo Ilú dos Alabês – Ilú Batá, que levou instrumentos percussivos e cânticos de matriz africana ao desfile principal.
A concentração ocorreu na praça de entrada da cidade, de onde os grupos seguiram em cortejo pelas vias centrais até a Praça do Cruzeiro, ponto de encerramento do trajeto. A programação foi marcada por apresentações coletivas, sem atração única centralizada, característica tradicional do evento.
O desfile integrou a agenda cultural do município e reuniu moradores, visitantes e representantes de instituições religiosas, culturais e comunitárias.
Cortejo e participação do grupo
Formado por músicos com atuação em terreiros e espaços de religiosidade afro-brasileira, o Ilú dos Alabês – Ilú Batá utilizou atabaques, tambores, agogôs e outros instrumentos de percussão, compondo o cortejo ao lado de outros coletivos culturais.
Durante o percurso, o grupo se apresentou de forma itinerante, interagindo com o público e com demais participantes. A proposta foi integrar música, tradição e expressão religiosa ao desfile.
Também participaram grupos convidados, como o Samba de Mães, formado por lideranças religiosas femininas de Feira de Santana, ampliando a diversidade de representações culturais.
Estrutura descentralizada
Diferentemente de eventos com palco principal, a Lavagem do Cruzeiro mantém múltiplas apresentações simultâneas, com atividades iniciadas ainda na concentração. Os grupos realizam ensaios, rodas musicais e intervenções ao longo do trajeto.
O formato favorece a circulação de artistas e do público, permitindo interação direta entre participantes. As apresentações incluem música, dança, manifestações religiosas e expressões populares.
A dinâmica também estimula a participação espontânea de coletivos locais e visitantes, fortalecendo o caráter comunitário do evento.
Raízes culturais e religiosidade
Integrantes do Ilú dos Alabês destacaram que parte do grupo é composta por ogãs, função tradicional ligada aos terreiros de candomblé. Essa ligação orienta o repertório e os toques executados durante o cortejo.
A presença de manifestações de matriz africana é considerada elemento estruturante da festa, que reúne práticas religiosas, culturais e históricas do município.
Além da dimensão simbólica, os organizadores apontam a atividade como mecanismo de preservação da memória coletiva e valorização das tradições locais.
Origem da festividade
De acordo com informações da organização cultural do evento, a Lavagem do Cruzeiro teve origem em quermesses católicas realizadas por missionários franciscanos, responsáveis pela instalação da cruz e por batismos comunitários no início do século XX.
Com o passar das décadas, a celebração incorporou expressões afro-brasileiras, grupos de capoeira e coletivos culturais, tornando-se um calendário anual de manifestações populares.
Atualmente, mais de 40 instituições participam oficialmente da programação, entre terreiros, associações e grupos artísticos.
Fonte: jornalgrandebahia.com.br
Publicado em: 2026-02-19 13:00:00 | Autor: Redação do Jornal Grande Bahia |



