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Politica

‘Ainda Estou Aqui’: a ressignificação da dor em uma luta por justiça

‘Ainda Estou Aqui’: a ressignificação da dor em uma luta por justiça

Por Lucas de Paula

Às vezes, tudo o que podemos fazer com a dor é transformá-la em uma causa pela qual podemos lutar. É isso que ‘Ainda Estou Aqui‘ nos mostra: a angústia de uma mãe que precisou se tornar a provedora da família após perder o marido para a ditadura, e, mais do que isso, precisou ressignificar o sofrimento em uma luta incessante por justiça até os seus últimos dias.

Fora das telas, a Eunice da vida real participou de forma ativa dos movimentos que cobravam respostas acerca dos desaparecidos da ditadura militar, atuando na linha de frente da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos. Ela também colaborou na Comissão Nacional da Verdade, que investigou crimes do período do regime militar. Para além da sua luta pessoal, ela também lutou pelos povos indígenas. Ao tornar-se advogada, atuou pela defesa da demarcação de terras.

O fato é que, após o desaparecimento do marido, a vida de Eunice nunca mais foi a mesma. A de ninguém seria. A dor, claro, não foi esquecida, mas, de alguma forma, foi ressignificada. Ela não se deixou consumir pelo sofrimento da perda e usou a sua história para inspirar outras famílias a buscarem a justiça também.

Precisamos lembrar do passado para que ele não seja repetido. E foi isso que ela fez. Usou cada dia da sua vida para lembrar do passado vergonhoso de um regime militar violento e sangrento, unindo uma geração inteira em uma causa que não era pessoal, mas sim coletiva. Coletiva porque a vítima não era apenas o Rubens que desapareceu, mas a família Paiva que ficava sem respostas. Coletiva porque a vítima não era apenas quem sumia, mas as diversas famílias que nunca souberam se o pai, a mãe ou os filhos estavam vivos ou não.

Não há como reescrever a história, nem poderíamos. O sofrimento e a vergonha de uma época marcada por sangue são a lembrança viva e ativa de que não podemos permitir que ela se repita. Em um ano em que se descobriu a tentativa de um golpe militar, é extremamente representativo lembrarmos das feridas da nossa História. Obrigado, Eunice. 

Texto produzido em colaboração a partir da Comunidade Cine NINJA. Seu conteúdo não expressa, necessariamente, a opinião oficial da Cine NINJA ou Mídia NINJA.

Fonte: midianinja.org

Publicado em: 2025-02-25 17:24:00 | Autor: <span>Cine NINJA</span> |

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