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Europa se volta o Sul Global em busca de autonomia por desgaste com EUA, dizem analistas

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À Sputnik Brasil, analistas ouvidos apontam que o desgaste na relação entre Estados Unidos e Europa tem levado líderes europeus a buscar maior autonomia… 04.02.2026, Sputnik Brasil

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A relação entre Estados Unidos e Europa, historicamente considerada um dos pilares centrais da ordem internacional do pós-guerra, atravessa um período de desgaste visível. Embora a parceria transatlântica siga sustentada por interesses comuns, acordos econômicos e cooperação militar, crescem sinais de desconfiança em capitais europeias diante de decisões e discursos vindos de Washington.Nos últimos anos, a percepção europeia sobre a Casa Branca tem sido influenciada por uma combinação de fatores: disputas comerciais e protecionismo, divergências sobre estratégias de segurança e a cobrança constante para que membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte elevem seus gastos com defesa em meio a períodos de recessão econômica.Ao mesmo tempo, mudanças abruptas de prioridades em política externa como a invasão à Venezuela e as ameaças de anexação da Groenlândia, alimentam o temor de que a Europa esteja vulnerável devido a sua falta de capacidade de articular uma resposta.Entre a necessidade de manter a cooperação com Washington e o impulso de construir maior autonomia estratégica, líderes europeus enfrentam um dilema: até que ponto é possível depender dos estadunidenses como fiadores de segurança e parceiro confiável em um cenário internacional cada vez mais competitivo e fragmentado?No Mundioka de quarta-feira (04), podcast da Sputnik Brasil, vamos analisar se a Europa está caminhando para uma autonomia maior e até que ponto pode fazer isso sem romper sua aliança histórica com os norte-americanos.Para Clayton Cunha Filho, professor de ciência política da Universidade Federal do Ceará, há uma profunda reestruturação acontecendo na ordem internacional, sob o patrocínio de Washington, e que a antiga ordem dificilmente será restaurada, mesmo com uma mudança de presidência no Salão Oval.O professor lembra que, após a Segunda Guerra Mundial, a Europa dependeu muito dos EUA para sua proteção – a criação da OTAN como pacto de defesa contra União Soviética – e sua reconstrução – o surgimento do Plano Marshall para o desenvolvimento das economias europeias. Nesse contexto, os países europeus não precisavam se preocupar tanto com a questão armamentista porque tinham esse “grande escudo” dos Estados UnidosSegundo Cunha Filho, a mudança de estratégia norte-americana representa uma volta às políticas de esfera de influência, em que grandes potências, como Washington e Moscou, consolidam hegemonias regionais.”A gente está nesse período que chamam de ‘neblina de guerra’, onde tem tanta coisa acontecendo e você não consegue ter exatamente certeza de para onde tudo está indo”.Para Monica Lessa, professora do Departamento de Relações Internacionais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), a reconfiguração da aliança entre os EUA e a Europa se explica por dois fatores.O primeiro é que o atual governo norte-americano se posiciona de forma crítica à globalização e ao multilateralismo, avaliando que esses mecanismos favoreceram a ascensão competitiva da China. O segundo é a percepção, hoje predominante na Casa Branca, de que Washington deveria adotar uma postura mais assertiva no comércio exterior, priorizando ganhos econômicos diretos em vez de concentrar esforços na mediação de conflitos e na manutenção de uma hegemonia geopolítica regionalizada.Para não ficar à mercê das oscilações de Washington, líderes europeus têm sinalizado a busca por alternativas e por maior autonomia estratégica, diversificando parcerias e ampliando interlocução com outras potências e com o Sul Global, em um movimento que busca retomar a ordem multipolar.Para Lessa, esse reposicionamento também está ligado a uma preocupação econômica concreta: se a Europa quiser garantir acesso a minérios e matérias-primas essenciais para competir em setores estratégicos, terá de recorrer a importações — e isso impõe o desafio adicional de manter capacidade tecnológica e industrial para transformar esses insumos em vantagem competitiva.Nesse sentido, Lessa aponta que o renovado impulso europeu para destravar o acordo Mercosul-União Europeia — negociado há cerca de 25 anos — foi interpretado como uma espécie de “tábua de salvação” em debates e jornais europeus. Ainda que o tratado enfrente entraves históricos, como o chamado “nó agrícola” e resistências internas de pequenos proprietários rurais europeus, a professora destaca que o entusiasmo recente por parte dos líderes do continente não era observado com a mesma intensidade em anos anteriores.

https://noticiabrasil.net.br/20260130/defesa-sul-americana-se-tornou-refem-das-alternancias-de-governo-afirmam-especialistas-47533468.html

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Especiais

À Sputnik Brasil, analistas ouvidos apontam que o desgaste na relação entre Estados Unidos e Europa tem levado líderes europeus a buscar maior autonomia estratégica e a diversificar parcerias, em meio ao temor de oscilações da política externa norte-americana.

A relação entre Estados Unidos e Europa, historicamente considerada um dos pilares centrais da ordem internacional do pós-guerra, atravessa um período de desgaste visível. Embora a parceria transatlântica siga sustentada por interesses comuns, acordos econômicos e cooperação militar, crescem sinais de desconfiança em capitais europeias diante de decisões e discursos vindos de Washington.

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (à esquerda, em primeiro plano), e o presidente da Argentina, Javier Milei, posam para uma foto em grupo durante a Cúpula do Mercosul em Buenos Aires, Argentina, em 3 de julho de 2025 - Sputnik Brasil, 1920, 30.01.2026

Defesa sul-americana se tornou refém das alternâncias de governo, afirmam especialistas
Nos últimos anos, a percepção europeia sobre a Casa Branca tem sido influenciada por uma combinação de fatores: disputas comerciais e protecionismo, divergências sobre estratégias de segurança e a cobrança constante para que membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte elevem seus gastos com defesa em meio a períodos de recessão econômica.

Ao mesmo tempo, mudanças abruptas de prioridades em política externa como a invasão à Venezuela e as ameaças de anexação da Groenlândia, alimentam o temor de que a Europa esteja vulnerável devido a sua falta de capacidade de articular uma resposta.

Entre a necessidade de manter a cooperação com Washington e o impulso de construir maior autonomia estratégica, líderes europeus enfrentam um dilema: até que ponto é possível depender dos estadunidenses como fiadores de segurança e parceiro confiável em um cenário internacional cada vez mais competitivo e fragmentado?

No Mundioka de quarta-feira (04), podcast da Sputnik Brasil, vamos analisar se a Europa está caminhando para uma autonomia maior e até que ponto pode fazer isso sem romper sua aliança histórica com os norte-americanos.

Para Clayton Cunha Filho, professor de ciência política da Universidade Federal do Ceará, há uma profunda reestruturação acontecendo na ordem internacional, sob o patrocínio de Washington, e que a antiga ordem dificilmente será restaurada, mesmo com uma mudança de presidência no Salão Oval.

O professor lembra que, após a Segunda Guerra Mundial, a Europa dependeu muito dos EUA para sua proteção – a criação da OTAN como pacto de defesa contra União Soviética – e sua reconstrução – o surgimento do Plano Marshall para o desenvolvimento das economias europeias.

Nesse contexto, os países europeus não precisavam se preocupar tanto com a questão armamentista porque tinham esse “grande escudo” dos Estados Unidos

“O que a gente está vendo hoje, aparentemente, é uma nova estratégia dos EUA muito mais voltada ao poder duro, em vez de poder brando, basicamente se escudando em ela ser a maior potência militar do mundo, que tem as maiores Forças Armadas, maior Força Aérea, maior Força Naval, bases militares espalhadas pelo mundo todo.”

Segundo Cunha Filho, a mudança de estratégia norte-americana representa uma volta às políticas de esfera de influência, em que grandes potências, como Washington e Moscou, consolidam hegemonias regionais.

“A gente está nesse período que chamam de ‘neblina de guerra’, onde tem tanta coisa acontecendo e você não consegue ter exatamente certeza de para onde tudo está indo”.

Para Monica Lessa, professora do Departamento de Relações Internacionais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), a reconfiguração da aliança entre os EUA e a Europa se explica por dois fatores.

O primeiro é que o atual governo norte-americano se posiciona de forma crítica à globalização e ao multilateralismo, avaliando que esses mecanismos favoreceram a ascensão competitiva da China. O segundo é a percepção, hoje predominante na Casa Branca, de que Washington deveria adotar uma postura mais assertiva no comércio exterior, priorizando ganhos econômicos diretos em vez de concentrar esforços na mediação de conflitos e na manutenção de uma hegemonia geopolítica regionalizada.

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, ao lado da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em evento no Rio de Janeiro, em janeiro de 2026 - Sputnik Brasil, 1920, 28.01.2026

Ameaças dos EUA fazem a Europa buscar o Sul Global por apoio
Para não ficar à mercê das oscilações de Washington, líderes europeus têm sinalizado a busca por alternativas e por maior autonomia estratégica, diversificando parcerias e ampliando interlocução com outras potências e com o Sul Global, em um movimento que busca retomar a ordem multipolar.

Para Lessa, esse reposicionamento também está ligado a uma preocupação econômica concreta: se a Europa quiser garantir acesso a minérios e matérias-primas essenciais para competir em setores estratégicos, terá de recorrer a importações — e isso impõe o desafio adicional de manter capacidade tecnológica e industrial para transformar esses insumos em vantagem competitiva.

Nesse sentido, Lessa aponta que o renovado impulso europeu para destravar o acordo Mercosul-União Europeia — negociado há cerca de 25 anos — foi interpretado como uma espécie de “tábua de salvação” em debates e jornais europeus. Ainda que o tratado enfrente entraves históricos, como o chamado “nó agrícola” e resistências internas de pequenos proprietários rurais europeus, a professora destaca que o entusiasmo recente por parte dos líderes do continente não era observado com a mesma intensidade em anos anteriores.

“Se o acordo vai ser realmente assinado, a gente não sabe, porque ele vai ter que passar por todo esse processo. Também não sabemos como vão reagir os EUA, porque o discurso da doutrina Monroe significa que a América Latina, que a América do Sul, ela é zona de influência exclusiva dos EUA.”

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Fonte: noticiabrasil.net.br

Publicado em: 2026-02-04 15:55:00 | Autor: |

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