A Prefeitura de Curitiba anunciou ter realizado a primeira internação compulsória de uma pessoa em situação de rua nesta terça (13). Uma mulher, não identificada, recusou a internação, mas foi levada mesmo assim por uma ação conjunta da “Fundação de Ação Social” e da Guarda Municipal (GM). A medida segue a esteira do contínuo processo de desmonte da saúde pública brasileira, que individualiza o problema social da miséria e do uso de drogas com o fim de estigmatizar e “higienizar” a população de rua.
O respaldo legal para a internação veio da portaria 240 do Governo Municipal, aprovada em dezembro do ano passado. Sobre o caso, o prefeito Eduardo Pimentel (PSD), declarou que “É uma medida dura, mas necessária para proteger pessoas em situação crítica e garantir segurança à cidade” e fez promessas de reintegração social. Entretanto, o desmonte da Saúde pública vai contra essa reintegração.
A Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) sofre sucessivos desmontes desde sua própria implantação, em 2011, ao mesmo tempo em que crescem diversas medidas manicomiais a fim de higienizar as consequências da crise do Velho Estado brasileiro. Em 2020, quadruplicaram as vagas financiadas pelo Governo Federal em Comunidades Terapêuticas, instituições de caráter geralmente cristão e denunciadas múltiplas vezes por maus tratos, tortura e emprego de terapia por conversão religiosa.
Em 2025, foi a vez do Governo de Luiz Inácio promover o maior aumento da história de vagas financiadas pela União, em comunidades terapêuticas, um total de 5.500, totalizando, até o momento, 16 mil vagas. Ainda em 2025, a prefeitura de Florianópolis divulgou vídeos de pessoas sob efeitos de substâncias sendo internadas à força, em uma propaganda estigmatizante que visa justificar a limpeza social promovida pelo isolamento dos dependentes químicos. Agora é Curitiba quem realiza sua primeira internação sob nova portaria, em ação com presença policial e alicerçada em um discurso de “segurança pública”. Todas estas medidas, sob diferentes caminhos, engessam o tratamento eugenista de problemas criados pelo próprio Velho Estado a partir de sua política de miséria.
Publicado em: 2026-01-15 18:47:00 | Autor: Giovanna Maria |

