O Estados Unidos (EUA) intensificou os preparativos para uma ação militar contra Cuba, segundo informações divulgadas nesta semana pelo monopólio de imprensa ianque USA Today. De acordo com a publicação, o presidente arquirreacionário Donald Trump ordenou ao Pentágono que acelere o planejamento de uma operação contra a ilha caribenha, aprofundando a escalada das ameaças imperialistas ianques contra a Nação cubana. O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, afirmou: “Não a queremos [a guerra], mas é nosso dever nos prepararmos para evitá-la e, se for inevitável, vencê-la”.
Em comunicado enviado ao USA Today, o Pentágono afirmou que trabalha com “uma série de contingências” e que permanece “preparado para executar as ordens presidenciais”. Fontes a par do assunto confirmaram que a orientação da Casa Branca é “ampliar os preparativos militares voltados a Cuba”. A movimentação ocorre mesmo com parte da atenção do governo ainda concentrada em tentar manter esforços militares no Oriente Médio, em meio o cumprimento de cessar-fogo com o Irã.
Nos últimos dias, Trump elevou o tom das ameaças. Em declarações reproduzidas pelos monopólios de imprensa ianques, ele afirmou esperar ter “a honra de tomar Cuba, de alguma forma”. Em 13 de abril, voltou ao tema ao declarar na Casa Branca que “podemos passar por Cuba depois de terminarmos com isso”, em referência à guerra no Oriente Médio.
A resposta cubana veio no dia 16 de abril, em ato realizado no centro de Havana, durante as celebrações pelos 65 anos da vitória na Invasão da Baía dos Porcos. Diante de milhares de pessoas, o presidente Miguel Díaz-Canel declarou que o país está preparado para enfrentar qualquer agressão externa. “O momento é extremamente desafiador e nos convoca a estarmos preparados para enfrentar sérias ameaças, entre elas a agressão militar”, afirmou.
Díaz-Canel ressaltou que Cuba não deseja um confronto armado, mas reafirmou a disposição de defender a soberania nacional. “Não a queremos [a guerra], mas é nosso dever nos prepararmos para evitá-la e, se for inevitável, vencê-la”, declarou. Em outro momento do discurso, destacou que a ilha permanece “bem debaixo do nariz do império” e que o regime continua apesar de décadas de hostilidade externa.
Cerco econômico e resistência cubana
A nova ameaça militar ocorre após meses de endurecimento das medidas de Washington contra Havana. Em janeiro, o governo ianque restringiu o fornecimento de hidrocarbonetos à ilha e, posteriormente, autorizou tarifas contra países que vendam petróleo a Cuba. A Casa Branca justificou as medidas alegando “razões de segurança nacional” e a “necessidade de pressionar por mudanças políticas no país”.
O bloqueio energético agravou uma crise econômica já prolongada, aprofundada nos últimos anos pela pandemia, pelas sanções e dificuldade de acesso a combustíveis vindos de parceiros como Venezuela, México e Rússia. Entre os efeitos relatados estão longos apagões, escassez de combustível e deterioração das condições de vida da população. O analista Brian Fonseca afirmou ao USA Today que uma eventual ofensiva poderia até representar “uma vitória militar muito fácil”, mas advertiu que manter a ordem e sustentar novas lideranças seria “uma vitória política muito mais difícil”, em meio ao quadro social já deteriorado.
Em seu discurso, Díaz-Canel rejeitou a retórica difundida por Washington de que Cuba seria um “Estado falido”. “Cuba não é um Estado falido, é um Estado cercado”, afirmou, ao denunciar a guerra econômica e o cerco imposto pelo imperialismo ianque. O presidente reforçou que as dificuldades enfrentadas pelo país decorrem da política de bloqueio e não de incapacidade nacional.
Ao mesmo tempo, as ameaças do imperialismo tendem a reforçar a coesão interna em torno da defesa da soberania cubana. A lembrança da derrota fragorosa da operação mercenária financiada pela CIA na Baía dos Porcos permanece viva na memória popular e como símbolo histórico de resistência. Passados 65 anos, a tensão entre a ilha e a superpotência imperialista volta a crescer, agora sob novas formas de pressão econômica e ameaça militar aberta.
Pôster – “Comitê Central” – Young Lords Party
Fundado em 1970 em Nova York, o jornal Palante foi o órgão oficial de imprensa do Partido Young Lords. Seu nome deriva da expressão espanhola “¡Pa’lante!” (A…
Publicado em: 2026-04-17 16:54:00 | Autor: Redação de AND |

