Inscreva-se

Seja o primeiro a saber as últimas atualizações

PL prevê eleger 80 deputados federais com Bolsonaro filiado

Presidente está atrás de estrutura regional partidária para viabilizar a campanha à reeleição

A cerca de um ano das eleições gerais, os partidos já buscam arregimentar novos quadros para colocar à prova o capital político em articulações majoritárias. Entretanto, as cúpulas partidárias ainda estão à espera do próximo movimento do presidente Jair Bolsonaro. Desde novembro de 2019 sem partido após a saída do PSL, ele está atrás de uma estrutura partidária para viabilizar a campanha à reeleição. 

Ao ser questionado, Bolsonaro indicou, anteontem, durante agenda na Itália para o encontro do G20, que três legendas disputam a sua filiação. “Tem três partidos que me querem, fico muito feliz. São três namoradas, vamos assim dizer. Duas vão ficar chateadas. O Republicanos, o PL e o PP, e cada dia um está na frente na bolsa de apostas. Agora, iria para o PL. Ontem, iria para o PP”, disse.

O primeiro vice-presidente do diretório estadual do PL, Lincoln Portela, confirma a O TEMPO as tratativas. “O PL está de portas abertas, sem nenhum problema. O PP também está conversando com o presidente, e vamos ver agora o que é que pode acontecer. A decisão está com o presidente”, declarou.

De acordo com Portela, caso Bolsonaro se filie ao PL, a expectativa é fazer “com o que temos, entre 70 e 80 deputados federais, sendo dez de Minas”. Hoje, o partido tem 43 deputados federais, sendo dois de Minas.

Bolsonaro ainda projetou que deve levar 30 parlamentares junto para o futuro partido. Após desembarcar do PSL, o presidente até tentou operacionalizar o próprio partido – Aliança pelo Brasil –, mas sem sucesso em razão da ausência de assinaturas suficientes.

Conforme o deputado federal, a estrutura partidária demandada por Bolsonaro são os diretórios. “Eu, particularmente, em Minas – sou vice-presidente e líder nacional –, não vejo nenhum problema em um acordo feito de maneira democrática e republicana. E, por certo, o presidente vai desejar fazer um acordo democrático e republicano”. Portela diz que ainda precisa escutar de Bolsonaro o que, de fato, ele quer.

Interesse

O vice-presidente ressalta que Bolsonaro traria votos para o PL. “Por certo, ele vai querer ter o controle de alguns Estados, de algumas cidades, colocando o pessoal dele que tem condições para trabalhar com isso. Enquanto vice-presidente, não vejo problema nenhum porque o presidente vindo traz legenda para o partido. Isso é muito importante. Mas, como já reforcei: de maneira democrática e republicana, e, claro, interessante para os dois”, afirmou. 

O PP, ao qual o presidente da República foi filiado entre 2005 e 2016, é outro postulante a recebê-lo. O partido é o principal fiador de Bolsonaro. O presidente da Executiva nacional, Ciro Nogueira, é ministro-chefe da Casa Civil. Já o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, foi eleito com o apoio do Palácio do Planalto. 

O TEMPO tentou contato com o vice-presidente do diretório estadual do PP, Antônio Pinheiro Neto, e com o deputado federal Marcelo Aro, mas ambos não responderam nem atenderam às chamadas até o fechamento desta edição.

O destino do presidente inevitavelmente implicaria reflexos no nível regional, já que Bolsonaro reivindica o controle de diretórios estaduais. Entretanto, ao contrário de rumores recentes, o futuro do presidente não deve levar o governador Romeu Zema (Novo) a migrar de partido. (veja mais abaixo).

 

Chances de filiação ao Republicanos e ao PSC são remotas

O Republicanos, ao menos conforme lideranças locais, é considerado uma alternativa menos viável. Embora o vereador Carlos Bolsonaro seja ainda filiado à legenda, o senador Flávio Bolsonaro, por exemplo, deixou o Republicanos em maio de 2021. “Acredito que Bolsonaro não se filiará ao Republicanos, uma vez que o filho se desfiliou do partido”, admite o presidente do diretório estadual do Republicanos, Gilberto Abramo. Questionado se a legenda seria carta fora do baralho, o deputado federal ressalta que as chances são remotas. “Na política, tudo pode acontecer. Mas acho pouco provável a filiação.” Abramo acrescenta que a bancada do Republicanos sequer decidiu se, por exemplo, apoiará a reeleição de Bolsonaro.

Outro destino improvável é o PSC. Assim como o PP, o partido já abrigou Bolsonaro, entre 2016 e 2018. A saída ruidosa do à época deputado federal da legenda é apontada como um obstáculo. De acordo com um deputado ouvido por O TEMPO, a Executiva nacional não cogita a filiação. “Na política, nada se exclui. Mas acho muito difícil. Vamos falar de tratativas pragmáticas de política. Não estou nem discutindo posicionamento ideológico em relação ao Governo. As experiências, ali, não foram bem exitosas. Foi o primeiro partido que deu a ele a oportunidade de se lançar candidato. Ele foi crescendo, crescendo, e houve divergências em relação ao destino do partido, como houve em relação ao PSL.” O TEMPO não conseguiu contato com o presidente do diretório estadual do PSC, deputado federal Euclydes Pettersen Neto.

Zema deve permanecer no Novo

Alinhado a Bolsonaro, o governador Romeu Zema (Novo) foi apontado como futuro correligionário do presidente da República. Zema é envolvido por especulações a respeito de qual legenda representará na busca pela reeleição ao Palácio Tiradentes. Inclusive, o governador teria recebido acenos das cúpulas dos próprios PL e PP em Minas para uma possível filiação. Entretanto, um dos interlocutores de Zema garante que não há planos ou intenção do governador em deixar o Partido Novo. “O governador, como principal nome da política mineira, mantém conversas com todos os partidos, mas isso não guarda relação com qualquer movimentação do presidente (Bolsonaro)”, pondera.

Portela, por exemplo, admite conversas com o governador. Inclusive, pontua que há outros partidos interessados. “Já conversamos nesse sentido”, afirma. “Não que tenha havido um convite formal. Mas, naturalmente, quando nos sentamos em uma mesa, trabalhamos com possibilidades diversas. E uma dessas possibilidades diversas é vir para o PL ou mesmo continuar no Novo e o PL vir em apoio sem coligação.” Já há um alinhamento entre o PL e o Novo para o apoio ao governador, complementa o deputado federal. “O PL já se sente e já está na base do governador Romeu Zema. Então, é só prosseguir o que já iniciamos.”

Dos líderes do PP em Minas, Marcelo Aro aproximou-se de Zema após o afastamento do prefeito Alexandre Kalil (PSD), postulado como pré-candidato ao Governo de Minas. Aliás, já deixou claro em outras ocasiões o apoio à empreitada do governador em 2022. “Decidi apoiar o governador pois vejo nele um homem público eficiente, honesto e preparado para fazer nosso Estado avançar. Zema é um estadista”, disse em maio de 2021.

Avesso às coligações majoritárias desde a fundação, o Novo já articula alianças em torno de Zema. A formação de coligações foi admitida pelo secretário-geral de Estado, Mateus Simões, em entrevista ao quadro Café com Política, da Rádio Super 91,7 FM. “Imagino que o governador vai se apresentar à reeleição em uma coligação com alguns dos partidos que hoje compõem a base (de apoio na ALMG). E mesmo aqueles partidos que eventualmente não estejam na coligação, mas que compõem a base, vão estar caminhando conosco e nós com eles” Além de PP e PL, há tratativas avançadas com Podemos e PSC, conforme apurou O TEMPO.

Questionado, Zema, por meio de nota, informa que continua alinhado com as diretrizes do Novo. “Nesse sentido, reafirma o compromisso com a legenda quanto a escolha do pré-candidato indicado pelo partido à Presidência da República (Felipe D’Ávila).”

portalgongogi

About Author

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Receba por email.

    Cadastre-se e receba grátis as principais notícias do portal gongogi.

    Portal Gongogi © 2024. Todos os direitos reservados.