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domingo, 8 de novembro

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Saúde

Colesterol: estudo da USP aponta benefícios de alimentação e exercícios na obesidade

Pesquisa com 200 adultos atendidos pelo SUS associa mudanças de hábitos à melhora do colesterol e do fígado ao longo de 20 semanas.

Por Redação Portal Gongogi

· Leitura de 3 min

Foto: UOL

Um estudo da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), realizado com o Hospital das Clínicas, identificou melhora do colesterol e de indicadores da saúde do fígado em adultos com obesidade que concluíram um programa de alimentação e exercícios. A pesquisa acompanhou 200 pacientes atendidos pelo SUS durante 20 semanas.

Publicado na revista científica Jama Network Open, o trabalho avaliou um acompanhamento intensivo e remoto para mudança de hábitos. Parte dos participantes recebeu orientações nutricionais adaptadas aos costumes locais e a recomendação de fazer pelo menos 150 minutos de atividade física por semana.

Entre os pacientes que completaram o programa, houve queda do LDL, conhecido como colesterol ruim, e aumento do HDL, chamado de colesterol bom. Também foram observadas reduções dos triglicerídeos e da enzima hepática ALT, um indicador usado na avaliação do fígado.

A redução de pelo menos 5% do peso corporal ocorreu em 25,4% dos participantes que concluíram as 20 semanas, contra 12,3% no grupo que manteve apenas o atendimento médico habitual. Como a maioria já usava medicamentos contra a obesidade, os pesquisadores destacaram os benefícios da mudança de hábitos como complemento ao tratamento.

Colesterol normal não descarta gordura no fígado

As duas alterações podem ter uma origem metabólica em comum. A cirurgiã Flávia Feier, coordenadora do Serviço de Transplante Hepático Adulto do Hospital de Clínicas de Porto Alegre e professora da UFRGS, explica que o excesso de gordura abdominal aumenta a liberação de ácidos graxos no sangue. Parte deles chega ao fígado e favorece o acúmulo de gordura no órgão.

Alterações associadas à resistência à insulina também podem elevar os triglicerídeos e modificar o colesterol. Mas exames de colesterol dentro dos valores de referência não garantem que o fígado esteja livre de gordura: eles medem o que circula no sangue, não o que está acumulado no tecido hepático.

Alimentação e acompanhamento individual

Outro estudo, da Universidade de Turim, na Itália, acompanhou 173 pessoas com sobrepeso ou obesidade e gordura no fígado por seis meses. A perda de peso e o menor consumo de ultraprocessados estiveram associados à redução da gordura hepática, sem superioridade de uma das três estratégias alimentares avaliadas.

Entre as mudanças recomendadas por Flávia estão consumir mais fibras de frutas, vegetais e grãos integrais, priorizar gorduras insaturadas, como as do azeite, abacate e castanhas, e reduzir bebidas açucaradas, embutidos e ultraprocessados. A prática regular de exercícios pode reduzir a gordura no fígado mesmo sem emagrecimento significativo.

O acompanhamento médico deve considerar também o sono e o consumo de álcool. Exames de sangue isolados não determinam a gravidade da doença hepática; conforme a avaliação individual, o médico pode solicitar exames complementares, como a elastografia, e indicar medicamentos para controlar o colesterol, tratar a obesidade ou abordar complicações no fígado.

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